Seduc treina merendeiras para melhorar qualidade das refeições nas escolas

Durante o recesso escolar deste primeiro semestre, mais de 1300  profissionais  que atuam no preparo da merenda escolar passaram por formações oferecidas pela Secretaria de Estado da Educação  (Seduc). A ação, que percorreu as 13 Gerências Regionais de Educação (Geres), alinha-se às boas práticas de manipulação dos alimentos e 5S para a organização da cozinha e foi conduzida pela equipe de nutricionistas da Superintendência de Rede da Seduc.

Para a superintendente da Rede Estadual de Educação, Roseane Vasconcelos, é importante que o aluno perceba a limpeza e o cuidado na forma de preparo daquilo que está sendo ofertado a ele e estes são os profissionais que farão esta diferença.

“Temos muitos alunos em condições de vulnerabilidade social que, infelizmente, têm na merenda escolar sua única refeição. A forma do preparo deste alimento faz toda a diferença, principalmente para as escolas de tempo integral, onde servimos cinco refeições para cerca de 400 alunos por unidade escolar. Então, é necessário que os profissionais que atuam no preparo da merenda saibam a melhor forma de manipular os alimentos, pois isso refletirá em uma refeição saudável e saborosa”, detalha a superintendente.

A formação, que também tem como pilar a valorização dos profissionais, tem acompanhamento dos elos regionais e gestores das escolas, segundo explica a nutricionista e responsável técnica pelo Programa de Merenda Escolar da Seduc, Regina Lima.

“Com essa nova equipe, vamos acompanhar os trabalhos dos profissionais no interior e ver como podemos atuar dentro da realidade de cada escola. Além das formações, as visitas farão parte do processo, pois os gestores também precisam acompanhar este trabalho. E, nessa formação, as merendeiras poderão levar o conhecimento que estão recebendo para os diretores”, ressalta a nutricionista.

O ingrediente é o amor –  Na 7ª Gere, em União dos Palmares, 70 manipuladores de alimentos de 13 escolas da rede participaram da formação. Além da programação padrão, estes ainda foram contemplados com o projeto piloto para 2020 “hábitos saudáveis para merendeiros (as)”, com os 10 passos da alimentação saudável do Ministério da Saúde.

Bem quistos em seus locais de trabalho, estes “tios” e “tias” também revelam seu amor por seus alunos e demonstram isto a cada preparo.

“O desafio é transformar o alimento que temos em muito, multiplicar, para atender os desejos de todos. Nós vemos os alunos como se fossem nossos filhos, pessoas da nossa casa. Sempre tento fazer o melhor, dentro da nossa realidade, e se for preciso, vou ao gestor, dou sugestões do que poderia ser feito para melhorar o serviço”, revela Cícera Martins, manipuladora de alimentos da Escola Estadual Jorge de Lima, em União dos Palmares.

“Esta formação fornece ainda mais segurança para nós, merendeiros, e também para os alunos. Eles são o nosso alvo. Ela vai contribuir para o nosso conhecimento com as práticas de higiene e nos capacitando para elevar a confiança dos alunos por saberem que estão sendo bem alimentados”, destaca Fernando da Silva Souza, da Escola Estadual Padre Teófanes Augusto de Araújo Barros, de São José da Laje.

Sua colega Sandra Moura, também da Padre Teófanes, pensa igual. “As formações são muito importantes, pois aprendemos algo novo e temos nosso trabalho valorizado. A escola é a segunda casa dos alunos, principalmente daqueles do ensino integral. Tratamos esses jovens como se fossem nossos filhos, a escola é uma continuação da nossa casa”, considera.

Para Simone Bezerra, gerente da 7ª Gere, esta relação afetiva entre manipuladores e alunos também fortalece os laços destes com a escola. “Sei quanto há de afetividade dos alunos pelos manipuladores de alimentos e vice-versa. Daí a importância do curso e também a avaliação da aceitabilidade do aluno. Aqui na região, nosso cardápio é bem aceito, regionalizado”, revela Simone.

Avaliando a aceitabilidade –  Além da preparação e valorização dos profissionais, está em desenvolvimento pela Seduc o teste de aceitabilidade da merenda escolar, com projeto piloto nas 11 escolas do Cepa, onde cerca de 500 estudantes já foram ouvidos.

Segundo Roseane Vasconcelos, o teste avalia quais os preparos que os alunos mais gostam de consumir, tendo em vista a elaboração para o cardápio para o próximo ano.

“Estamos indo às escolas, fazendo o teste de aceitabilidade, escutando o aluno e avaliando uma possível mudança entre alimentos com o mesmo valor nutricional, e as nutricionistas ainda acompanham o preparo da merenda naquele dia”, fala Roseane.

De acordo com a estagiária em nutrição Raquel Vasconcelos, quatro preparos estão sendo avaliados: Cuscuz à primavera (recheado com ovos e legumes), munguzá, sopa de legumes e macarronada.

“A forma do preparo faz completamente a diferença. Além do preparo, tem que observar a região e quais alimentos são mais comuns e favoráveis”, destaca Raquel. Ela esclarece ainda que um dos principais critérios para definir a manutenção ou não da preparo será a aceitação da comunidade escolar.

“Após fazer um apanhando das 11 escolas do Cepa, analisaremos qual desses preparos são mais aceitos. Com isso, vamos criar estratégias para aplicar nas outras regionais, e tentar implementar, com base na localidade, os alimentos mais acessíveis a estes locais”, explica Raquel.

Ascom – 23/07/2019